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SC debate avanço do adoecimento mental na Saúde

SC debate avanço do adoecimento mental na Saúde
Indicadores apresentados mostram alta incidência de ansiedade, depressão e estresse ocupacional entre profissionais em SC e no país. (Foto: Divulgação)

Publicado em 02/12/2025

O crescente adoecimento mental entre trabalhadores da saúde voltou ao centro do debate público na segunda-feira (1º), durante seminário realizado no Palácio Barriga Verde, em Florianópolis. O encontro, promovido pelas comissões de saúde da Assembleia Legislativa e da Câmara dos Deputados, reuniu profissionais do setor, estudantes, gestores e representantes de entidades para analisar dados recentes e propor caminhos de proteção e valorização.

Segundo informações apresentadas no início do evento, entre 30% e 40% dos profissionais de saúde no Brasil relatam sintomas relevantes de ansiedade e depressão. Mais de 70% afirmam viver sob estresse ocupacional intenso e exaustão emocional, números levantados pelo Observatório da Saúde do Trabalhador e pela Fiocruz e que se repetem em Santa Catarina.

Carga excessiva e fragilidades estruturais

As causas do problema foram destacadas pelos participantes: jornadas longas, falta de equipes suficientes, ausência de suporte institucional e episódios frequentes de violência contra trabalhadores. A sobrecarga, apontam especialistas, não apenas compromete a saúde desses profissionais como também prejudica a qualidade do atendimento oferecido à população.

O deputado Neodi Saretta (PT), presidente da Comissão de Saúde da Alesc, alertou para os impactos diretos na rede pública. Para ele, enfrentar o cenário exige políticas permanentes de acolhimento e melhores condições de trabalho. “Ambientes mais humanos, apoio psicológico contínuo, equipes dimensionadas corretamente e valorização profissional são elementos essenciais”, afirmou.

Burnout em evidência

A deputada federal Ana Paula Lima (PT-SC), enfermeira de formação, reforçou que a Síndrome de Burnout se tornou um fenômeno ocupacional reconhecido pela Organização Mundial da Saúde desde 2022. Para ela, os números apresentados não devem ser interpretados apenas como estatísticas, mas como um alerta urgente sobre a insustentável pressão enfrentada por médicos, enfermeiros, agentes comunitários, psicólogos, técnicos e farmacêuticos.

Durante o seminário, mesas de debate abordaram temas como o panorama nacional da saúde mental dos trabalhadores, estratégias de acolhimento e ações de prevenção, além de análises específicas sobre a realidade catarinense.

Apoio das entidades e dados regionais

Entidades profissionais também aproveitaram o encontro para reforçar a necessidade de medidas mais robustas. Janaína Henrique, representante do Conselho Regional de Psicologia (CRP-SC), lembrou que Santa Catarina registrou, em 2024, o quarto maior número absoluto de afastamentos por motivos de saúde mental. Ela ressaltou o compromisso da entidade em defender equipes ampliadas, capacitação de gestores e fortalecimento da segurança institucional.

A preocupação também foi destacada pela presidente da Associação Brasileira de Enfermagem em Santa Catarina (ABEn-SC), Jussara Guiartini. Segundo ela, a violência e a sobrecarga têm sido cada vez mais recorrentes na rotina da enfermagem, tema presente inclusive no 70º congresso da categoria. Guiartini defendeu a continuidade das pesquisas e a construção de encaminhamentos concretos para reduzir os índices “cada vez mais alarmantes”.

Mobilização interinstitucional

Representando a Superintendência do Ministério da Saúde em Santa Catarina, Roberto Eduardo Schneider reconheceu a gravidade da situação e afirmou que o órgão está disposto a colaborar na elaboração de políticas conjuntas. Ele destacou que o avanço dos transtornos mentais no pós-pandemia exige discussões amplas e integradas, envolvendo governo e sociedade.

O seminário, ao reunir diferentes setores ligados à saúde, reforçou a urgência de transformar diagnósticos em políticas efetivas, com foco na proteção de quem está na linha de frente do cuidado.

 

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Da redação

Fonte: Alesc

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