Pinguins e baleias chegam ao litoral catarinense
O inverno transforma o litoral de Santa Catarina em rota de passagem para diferentes espécies marinhas. Em agosto, um dos períodos de maior presença dos pinguins-de-magalhães no Estado, moradores e turistas têm registrado os animais em praias de Bombinhas, Governador Celso Ramos e Florianópolis. Os vídeos e imagens publicados nas redes sociais chamaram a atenção para um fenômeno que se repete todos os anos.
A movimentação da fauna marinha entre julho e setembro está relacionada aos ciclos migratórios, reprodutivos e de alimentação de diferentes espécies. Além dos pinguins-de-magalhães, a temporada também favorece a presença de baleias-francas, leões-marinhos, lobos-marinhos e tartarugas marinhas próximos à costa.
Inverno traz diferentes espécies para a costa
Entre os animais mais aguardados nesta época está a baleia-franca, que deixa as águas frias próximas à Antártica e migra para regiões mais quentes do litoral brasileiro. Santa Catarina está entre os locais onde a espécie costuma ser observada, principalmente no trecho entre Florianópolis e o Sul do Estado. A região oferece condições adequadas para o nascimento e a amamentação dos filhotes.
Os pinguins-de-magalhães também fazem parte desse cenário. Depois de percorrerem longas distâncias em busca de alimento, especialmente os indivíduos mais jovens podem chegar às praias catarinenses enfraquecidos, desidratados ou com alterações de saúde. Nesses casos, o animal precisa ser examinado por profissionais especializados.
Já os leões-marinhos e lobos-marinhos podem ser vistos descansando na faixa de areia antes de continuarem seus deslocamentos. As tartarugas marinhas também podem aparecer em condições de fragilidade, relacionadas a situações como ingestão de resíduos, colisões com embarcações e captura acidental em redes de pesca.
A oceanógrafa do Oceanic Aquarium, Camila Moraes, ressalta que a presença de um animal marinho na praia não significa, necessariamente, que ele esteja em perigo. Segundo ela, alguns utilizam esses locais para descansar durante as migrações ou encontram na região condições favoráveis para alimentação e reprodução.
Mesmo quando o animal aparenta estar debilitado, a orientação é não interferir por conta própria. Uma tentativa de ajuda sem avaliação profissional pode causar ainda mais danos.
Distância é a melhor forma de ajudar
Ao encontrar um animal marinho na praia, a recomendação é observar de longe e evitar qualquer contato. Não se deve tocar, alimentar ou tentar devolver o animal à água. Crianças e animais domésticos também precisam ser mantidos afastados, enquanto aglomerações ao redor do animal devem ser evitadas, inclusive para fotografias.
A orientação é procurar órgãos ambientais, o Corpo de Bombeiros ou projetos especializados no monitoramento da fauna marinha, que poderão avaliar a situação e definir a conduta adequada.
A veterinária e gerente de Operações Técnicas do Oceanic Aquarium, Juliana Formágio, explica que a aproximação de pessoas pode aumentar o estresse e comprometer a recuperação do animal. Em muitos casos, segundo ela, a permanência na areia é apenas uma etapa do deslocamento e o animal precisa de tranquilidade antes de seguir viagem.
O cuidado é ainda mais importante com os pinguins-de-magalhães. Embora alguns cheguem às praias após longos deslocamentos e aparentem estar debilitados, somente uma avaliação especializada pode determinar se existe necessidade de atendimento.
Fauna marinha também pode ser conhecida de perto
Em Balneário Camboriú, o Oceanic Aquarium oferece aos visitantes a possibilidade de conhecer algumas das espécies relacionadas à fauna marinha encontrada no litoral catarinense durante o inverno, entre elas os pinguins-de-magalhães.
O aquário reúne mais de 170 espécies, incluindo tubarões-mangona, águas-vivas, polvos, cavalos-marinhos, lontras, jacarés, capivaras e peixes de diferentes regiões do mundo. O espaço também conta com a Imersão Oceania, que apresenta aves australianas.
A temporada de migração reforça a importância de observar a fauna marinha sem interferir em seus ciclos naturais. Para quem encontra um desses animais na praia, a principal orientação é manter distância, não oferecer alimento nem tentar movê-lo e procurar ajuda especializada sempre que houver suspeita de que o animal esteja ferido ou debilitado.
Da redação
Fonte: Ascom/Oceanic Aquarium
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