MPSC busca localizar órfãos do feminicídio em SC
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) firmou um acordo de cooperação técnica com a Polícia Científica de Santa Catarina para ampliar a identificação e a localização de crianças e adolescentes que perderam as mães em decorrência do feminicídio. A iniciativa pretende reunir e complementar informações sobre essas vítimas indiretas da violência, facilitando o encaminhamento aos serviços públicos de proteção e assistência.
O acordo foi assinado na última terça-feira (6), e o trabalho será coordenado pelo Núcleo de Enfrentamento às Violências e de Apoio às Vítimas (NEAVIT), do MPSC. A partir dos dados disponibilizados pela Polícia Científica, a equipe buscará informações sobre os órfãos, incluindo endereço, vínculos familiares e formas de contato.
Com os dados organizados, a expectativa é identificar onde essas crianças e adolescentes estão, conhecer suas condições atuais e avaliar quais tipos de atendimento são necessários. A proposta também prevê ações de busca ativa para aproximar esse público dos serviços de assistência social, saúde e apoio psicossocial.
Levantamento aponta dimensão do problema
A iniciativa ganhou força a partir dos resultados do Mapa do Feminicídio em Santa Catarina. Segundo o levantamento, 65,6% das mulheres vítimas desse crime eram mães. Entre elas, 45,9% tinham filhos em comum com o agressor.
Os números evidenciam a necessidade de identificar as crianças e os adolescentes afetados, além de compreender as condições em que vivem após a perda da mãe. Sem informações completas, parte desse público pode permanecer fora do alcance das políticas públicas e dos mecanismos de proteção disponíveis.
A coordenadora-geral do NEAVIT, promotora de Justiça Chimelly Louise de Resenes Marcon, destaca que a parceria permitirá aprimorar os registros existentes e ampliar as possibilidades de atendimento. O objetivo é transformar os dados reunidos em ações concretas para garantir que essas vítimas tenham acesso aos serviços e aos direitos assegurados pela legislação.
Pensão especial e acesso à rede de proteção
Entre os direitos previstos está a pensão especial destinada a crianças e adolescentes menores de 18 anos que perderam a mãe em razão do feminicídio. O benefício foi criado pela Lei Federal nº 14.717/2023 e regulamentado pelo Decreto nº 12.636/2025.
A cooperação entre os órgãos busca facilitar o acesso a esse auxílio, mas a atuação não ficará restrita à questão financeira. A proposta também contempla o encaminhamento para serviços de saúde, acompanhamento psicológico, assistência social e outras políticas públicas adequadas às necessidades de cada caso.
Com a qualificação das informações, o MPSC pretende fortalecer a articulação entre as instituições responsáveis pelo atendimento e ampliar a proteção oferecida aos órfãos do feminicídio em Santa Catarina.
Da redação
Fonte: MPSC
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