Governo reforça prevenção diante do El Niño
O Governo Federal reuniu, na segunda-feira (31), gestores estaduais e municipais da Região Sul para discutir medidas de prevenção e resposta aos possíveis impactos do El Niño. O encontro virtual foi a quarta reunião regional dos “Diálogos Federativos – Emergências Climáticas 2026/2027” e apresentou previsões climáticas, ações federais e orientações para estados e municípios.
A reunião foi coordenada pela ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, e contou com a participação dos ministros José Guimarães, das Relações Institucionais, Valder Ribeiro, da Integração e do Desenvolvimento Regional em exercício, e Ana Flávia, do Meio Ambiente e Mudança do Clima em exercício. O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, também participou.
Chuva e calor acima da média
As projeções indicam a possibilidade de um El Niño de intensidade muito forte, com pico estimado de 2,7°C. Para a Região Sul, a previsão aponta chuvas e temperaturas acima da média entre agosto e novembro, período que exige maior atenção.
Entre os impactos que devem ser monitorados estão o encharcamento do solo e o excesso de umidade, que podem prejudicar lavouras, dificultar a colheita e afetar a qualidade dos grãos. Também há risco de enchentes urbanas e deslizamentos de terra.
Investimentos em prevenção
Entre as medidas apresentadas estão investimentos do Novo PAC em segurança hídrica, prevenção de desastres, energia elétrica e adaptação climática.
Na segurança hídrica, estão previstos R$ 196,3 milhões para a Região Sul, incluindo novos reservatórios, sistemas de abastecimento e ações de acesso à água. O Rio Grande do Sul concentra R$ 179,9 milhões desse valor, enquanto o Paraná terá R$ 11,9 milhões e Santa Catarina, R$ 4,5 milhões.
Para prevenir desastres provocados por chuvas intensas, são previstos R$ 8,8 bilhões na região, destinados principalmente à drenagem urbana, contenção de encostas e infraestrutura.
Na área de energia, o planejamento prevê R$ 2,9 bilhões em geração e R$ 12,8 bilhões em transmissão. A expansão prioriza fontes renováveis, especialmente eólica e solar. Também foram anunciados R$ 160 milhões para dragagens na Lagoa Mirim e no Rio Taquari.
Monitoramento ampliado
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) ampliou de quatro, em janeiro de 2023, para 156 o número de estações meteorológicas no Sul em 2026. A meta é chegar a 161 em 2027.
Já o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) passou de 153 municípios com equipamentos de medição em 2023 para 267 em 2026. A previsão é alcançar 339 municípios em 2027, com investimento de R$ 18 milhões.
A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil também mantém ações de monitoramento, emissão de alertas, mobilização e planejamento integrado. Oficinas de preparação foram realizadas em Porto Alegre, Curitiba e Florianópolis durante agosto.
Saúde e estoques de alimentos
Na saúde, está prevista uma base regional da Força Nacional do SUS (ForSUS) em Porto Alegre, voltada à resposta a emergências e desastres. Também deverão ser implantados Centros de Informação em Saúde e Clima (CISC) em Curitiba e Porto Alegre para reunir dados sobre impactos de eventos climáticos na saúde pública.
O governo ainda prevê ampliar os estoques públicos para 310 mil toneladas de arroz, considerando o risco de quebra da safra no Sul, e 180 mil toneladas de milho, com prioridade para o semiárido nordestino.
Orientação aos municípios
Estados e municípios foram orientados a organizar as estruturas locais de Proteção e Defesa Civil, Saúde, Infraestrutura, Assistência Social e Meio Ambiente, além de elaborar planos de contingência e acompanhar informações de fontes oficiais.
Em caso de desastre, o reconhecimento federal de situação de emergência ou estado de calamidade pública permite solicitar recursos da União por meio do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID). Os valores podem ser utilizados em ações de socorro, assistência às vítimas, restabelecimento de serviços e reconstrução de infraestrutura.
Reconstrução no Rio Grande do Sul
O encontro também detalhou os recursos destinados à reconstrução e adaptação climática do Rio Grande do Sul. Entre 2024 e 2027, estão previstos R$ 15,1 bilhões por meio do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs). Desse total, R$ 9,4 bilhões já foram transferidos e outros R$ 5,7 bilhões estão previstos até 2027. Até julho de 2026, os desembolsos somavam R$ 5,8 bilhões.
Também estão previstos R$ 6,5 bilhões do Fundo de Apoio à Infraestrutura (FIRECE) para oito projetos estruturantes na Região Metropolitana de Porto Alegre.
A preparação para os possíveis efeitos do El Niño será acompanhada pela Sala de Situação do El Niño, que reúne informações dos órgãos de monitoramento e articula as áreas envolvidas. A estratégia inclui acompanhamento permanente do clima, emissão de alertas, planejamento integrado e mobilização de estruturas federais em caso de desastre.
Da redação
Fonte: Governo Federal
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