Governo detalha ações de prevenção ao El Niño
O Governo Federal apresentou, nesta semana as principais medidas de prevenção e resposta previstas para diferentes regiões do Brasil diante dos possíveis efeitos do El Niño. As ações foram detalhadas durante uma entrevista coletiva destinada à imprensa regional, após uma série de reuniões com gestores estaduais e municipais no âmbito dos “Diálogos Federativos – Emergências Climáticas 2026/2027”.
Participaram da coletiva a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, e o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional em exercício, Valder Ribeiro de Moura.
Durante a apresentação, os representantes do Governo Federal reforçaram que os impactos do fenômeno podem ser diferentes conforme a região do país. Por isso, as estratégias de preparação consideram as características e os riscos específicos de cada território.
Riscos variam conforme a região
Segundo Miriam Belchior, a Amazônia pode enfrentar períodos de seca e maior risco de incêndios. No Nordeste, uma possível demora na chegada das chuvas pode afetar a produção agrícola do Matopiba, área de Cerrado que abrange diferentes estados da região. No Centro-Oeste, a preocupação também envolve lavouras e queimadas.
Já no Sudeste, os principais pontos de atenção são as ondas de calor e os incêndios. Na Região Sul, por outro lado, o cenário associado ao El Niño é de maior volume de chuvas, com possibilidade de enchentes e deslizamentos.
A ministra também destacou a importância da imprensa na divulgação de informações de utilidade pública. A orientação do Governo Federal é que a população tenha acesso a dados corretos e fundamentados na ciência para compreender os riscos e saber como agir diante de eventos climáticos extremos.
Para Miriam, o enfrentamento dos impactos relacionados ao clima depende de planejamento, conhecimento científico, articulação entre os governos e participação da sociedade.
Centro-Oeste terá reforço contra incêndios
Entre as medidas destinadas ao Centro-Oeste está o suporte financeiro para a preparação das equipes estaduais, incluindo os Corpos de Bombeiros. De acordo com João Paulo Capobianco, também foram realizadas reuniões com comandantes das Polícias Militares para ampliar a atuação na prevenção e na fiscalização do uso irregular do fogo.
Com recursos do Fundo Amazônia, R$ 521 milhões foram destinados a ações de prevenção e combate a incêndios na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal. O investimento possibilitou a compra de 500 veículos e 33.800 equipamentos de proteção individual, além da reforma de 30 bases operacionais.
Para ampliar a segurança hídrica na região, estão previstos R$ 50,5 milhões. Outros R$ 248,4 milhões devem ser aplicados em obras estruturantes voltadas à prevenção de desastres relacionados a chuvas intensas.
Sul concentra ações contra enchentes
Na Região Sul, o planejamento considera o risco de chuvas acima do normal, que podem provocar enchentes e deslizamentos. O Governo Federal informou que mantém ações de acompanhamento e preparação em conjunto com os órgãos estaduais de Defesa Civil.
Além da prevenção, a atuação federal inclui medidas de resposta em situações de emergência, como ajuda humanitária, socorro imediato e ações de recuperação e reconstrução de estruturas atingidas.
Ao longo do tempo, foram destinados cerca de R$ 30 milhões para planos de combate às inundações. Para os três estados do Sul, também estão previstos R$ 8,8 bilhões em obras de prevenção de desastres, incluindo projetos de contenção de encostas e drenagem urbana.
Nordeste terá investimentos em segurança hídrica
No Nordeste, a disponibilidade de água e os possíveis reflexos sobre a produção e o abastecimento de alimentos estão entre as principais preocupações. Segundo a ministra da Casa Civil, os monitoramentos apontam que os principais reservatórios da região apresentam atualmente uma situação considerada confortável quando comparada a outros períodos.
Entre as estratégias de segurança hídrica está o Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF). A região deverá receber cerca de R$ 10 bilhões para a construção de 2.800 quilômetros de canais e adutoras, além da implantação de novos reservatórios capazes de acrescentar 2,2 milhões de metros cúbicos de água.
Os investimentos também incluem a recuperação de 162 barragens e de 172 mil cisternas.
As ações relacionadas ao PISF contemplam os ramais do Apodi e do Salgado, o Cinturão das Águas, a ampliação do bombeamento do Eixo Norte e a Adutora do Agreste. O conjunto de intervenções representa R$ 4,8 bilhões em investimentos e deve alcançar aproximadamente 12 milhões de pessoas.
Em períodos de emergência provocados pela falta de água, a Operação Carro-Pipa é utilizada para levar abastecimento às comunidades atendidas pelo programa. A iniciativa já recebeu R$ 2,1 bilhões e atende, em média, 1,6 milhão de pessoas por mês.
Norte terá estoques antecipados
Na Região Norte, uma das estratégias apresentadas é antecipar o envio de água e alimentos para municípios que possuem comunidades isoladas. A medida busca deixar os produtos mais próximos das áreas consideradas de maior risco, permitindo que estados e municípios façam a distribuição às famílias em situação de maior vulnerabilidade.
O Governo Federal também informou que conta com aeronaves pré-contratadas que podem ser acionadas para reforçar esse atendimento, caso seja necessário.
Além das 160 mil cestas de alimentos cuja entrega já foi antecipada, outras 350 mil estão previstas para povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, pescadores artesanais e agricultores familiares.
Na área de segurança hídrica, o Novo PAC e o Fundo Amazônia destinam R$ 582 milhões para a Região Norte. Desse total, R$ 181 milhões são direcionados a ações de água rural, R$ 330 milhões à implantação de 10.671 sistemas sanitários e R$ 55 milhões a soluções de acesso à água em aldeias indígenas.
Sudeste terá atenção à saúde
No Sudeste, o planejamento federal considera principalmente a possibilidade de ondas de calor e atraso no período de chuvas. Entre as medidas previstas está a descentralização da Força Nacional do SUS (ForSUS), com a instalação de uma base regional no Rio de Janeiro.
A estrutura deverá atuar no apoio a atendimentos realizados durante situações de emergência e desastres.
Outra iniciativa prevista é o Centro de Informação em Saúde e Clima (CISC), em Belo Horizonte (MG). O espaço terá como função reunir dados e análises sobre impactos epidemiológicos relacionados a eventos climáticos e acompanhar situações como ondas de calor, chuvas intensas, inundações, estiagens, secas e incêndios florestais.
Na área de prevenção de desastres, o Novo PAC prevê R$ 8,7 bilhões para o Sudeste. São R$ 6,7 bilhões destinados à drenagem urbana e R$ 2 bilhões para obras de contenção de encostas.
As medidas apresentadas fazem parte do planejamento federal de preparação e resposta aos possíveis impactos do El Niño e buscam ampliar a atuação coordenada entre União, estados e municípios diante dos diferentes cenários climáticos previstos para o país.
Da redação
Fonte: Governo Federal
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