Doar sangue ficará mais acessível no Brasil
As regras para doação de sangue passaram por mudanças em outubro de 2026, com a atualização dos critérios de elegibilidade estabelecida pela Portaria GM/MS nº 11.685/2026. As novas diretrizes flexibilizam alguns impedimentos temporários e ampliam as possibilidades de doação, mantendo a triagem necessária para garantir a segurança de quem doa e de quem recebe os hemocomponentes.
A atualização pode contribuir para atrair novos voluntários e facilitar o retorno de pessoas que precisavam aguardar longos períodos antes de voltar a doar. A medida é importante diante da necessidade permanente de sangue nos serviços de saúde, que dependem de estoques regulares para atender emergências, cirurgias e pacientes em tratamento de doenças graves.
O que muda para quem deseja doar
Entre as principais alterações está a redução do período de espera após determinados procedimentos estéticos. Para pessoas que fizeram tatuagens, maquiagem definitiva, aplicação de botox, preenchimentos ou microagulhamento, o intervalo pode ser de sete dias, desde que seja possível comprovar condições adequadas de segurança. Quando essa verificação não puder ser feita, o impedimento será de quatro meses.
Outra mudança envolve quem realizou endoscopia ou colonoscopia. Nesses casos, o período de espera para voltar a doar sangue passa de seis para quatro meses.
As novas regras também permitem que doadores habituais continuem contribuindo após os 70 anos, desde que estejam em condições de saúde adequadas e sejam considerados aptos na avaliação médica realizada pelo serviço de hemoterapia.
Segundo Robson Vassoler, coordenador do Laboratório Unimed Chapecó, a atualização dos critérios pode facilitar o retorno de pessoas que antes precisavam cumprir períodos mais longos de impedimento.
As mudanças, explica o profissional, acompanham avanços científicos e buscam ampliar o acesso à doação sem deixar de lado os cuidados necessários para proteger doadores e receptores.
Estoques são essenciais para cirurgias e emergências
A disponibilidade de sangue é indispensável para diferentes procedimentos hospitalares, especialmente cirurgias de maior complexidade, atendimentos de urgência e tratamentos oncológicos e de doenças hematológicas.
As cirurgias cardíacas estão entre os procedimentos que exigem reservas importantes de hemocomponentes, incluindo plaquetas. Já em situações de hemorragia grave, a rapidez no atendimento e a disponibilidade dos componentes sanguíneos podem ser determinantes para a estabilização dos pacientes.
A manutenção dos estoques exige atenção constante, já que os componentes do sangue têm prazos de validade limitados, especialmente as plaquetas. Entre os tipos sanguíneos de grande importância para os serviços hospitalares estão o O negativo, utilizado em determinadas emergências por sua compatibilidade para transfusão de hemácias, e o O positivo, que apresenta elevada demanda devido à frequência desse tipo sanguíneo na população.
Todos os grupos sanguíneos, no entanto, são necessários para atender às diferentes necessidades dos pacientes.
Quem pode doar sangue
Para realizar a doação, é necessário estar em boas condições de saúde, pesar pelo menos 50 quilos e apresentar um documento oficial com foto.
A primeira doação pode ser feita a partir dos 16 anos até os 60 anos, 11 meses e 29 dias, conforme os critérios gerais informados pela instituição. Menores de 18 anos precisam de autorização dos responsáveis. Pessoas que já doaram anteriormente podem continuar contribuindo após essa faixa etária, respeitando as condições de elegibilidade.
Com a atualização das regras, doadores habituais também podem doar depois dos 70 anos, desde que passem pela avaliação médica e sejam considerados aptos.
Antes da coleta, a orientação é dormir bem, manter a hidratação e se alimentar adequadamente. Também é importante evitar refeições gordurosas nas horas anteriores à doação e informar à equipe de triagem sobre medicamentos utilizados, condições de saúde e procedimentos realizados recentemente.
Mitos ainda afastam voluntários
Apesar da importância das doações, dúvidas sobre o procedimento ainda podem desestimular possíveis voluntários. Entre as preocupações estão o receio de sentir fraqueza permanente ou de contrair doenças durante a coleta.
Segundo Robson Vassoler, os materiais utilizados são estéreis, descartáveis e de uso único, o que impede a transmissão de doenças por meio dos equipamentos. O organismo repõe a parte líquida do sangue em pouco tempo, enquanto a recuperação das células ocorre gradualmente nas semanas seguintes. Eventuais episódios de tontura ou indisposição costumam ser passageiros.
Uma única doação pode beneficiar mais de um paciente, conforme a utilização dos componentes sanguíneos. Por isso, a orientação é que pessoas aptas procurem um serviço de hemoterapia e considerem a doação como uma prática regular de solidariedade.
Da redação
Fonte: OCESC
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