00:00
21° | Nublado

Disque 100 tem ano recorde em denúncias de escravidão

Disque 100 tem ano recorde em denúncias de escravidão
O Brasil registrou em 2025 o maior número de denúncias de trabalho escravo desde 2011. (Foto: Agência Gov | via MDHC)

Publicado em 30/01/2026

As denúncias de trabalho escravo e de condições análogas à escravidão alcançaram, em 2025, o maior número já registrado no Brasil desde o início da série histórica, em 2011. Ao longo do ano, o Disque Direitos Humanos, conhecido como Disque 100, contabilizou 4.516 registros relacionados a esse tipo de violação, um aumento de 14% em comparação com 2024.

Os dados foram divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) na quarta-feira (28) e indicam que o país soma cerca de 26 mil denúncias acumuladas ao longo de 14 anos. O crescimento dos números é atribuído, principalmente, ao avanço da conscientização da população e à maior confiança nos canais oficiais de denúncia.

Resgates e ações de fiscalização

Em 2025, as denúncias resultaram em 1.594 operações de fiscalização em diferentes regiões do país, que levaram ao resgate de 2.772 trabalhadores. As ações garantiram o pagamento de mais de R$ 9 milhões em verbas rescisórias às vítimas, segundo o MTE. O balanço foi divulgado no mesmo ano em que o Estado brasileiro completa três décadas do reconhecimento oficial da existência da escravidão contemporânea no país.

A maior operação do ano ocorreu no Mato Grosso, em uma usina de etanol no município de Porto Alegre do Norte. Entre julho e outubro, 586 pessoas foram libertadas após uma fiscalização iniciada em decorrência de um incêndio nos alojamentos. No local, auditores encontraram superlotação, falta de água potável e energia elétrica, além de condições sanitárias inadequadas. Trabalhadores relataram jornadas que chegavam a 16 horas diárias, inclusive aos domingos.

Estados com mais registros

São Paulo liderou o número de denúncias em 2025, com 1.129 registros, seguido por Minas Gerais, que teve 679, e pelo Rio de Janeiro, com 364. Já no levantamento de trabalhadores resgatados, o Mato Grosso apareceu em primeiro lugar, com 607 pessoas libertadas. Na sequência estão a Bahia, com 482 resgates, e Minas Gerais, com 393.

As ocorrências envolvem diferentes formas de exploração, como trabalho escravo infantil, servidão por dívida, jornadas exaustivas e restrição do direito de ir e vir.

Para o coordenador-geral de Erradicação do Trabalho Escravo do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Paulo Cesar Funghi, os números reforçam que o crime segue presente no país. Ele destaca que o Disque 100 tem papel fundamental ao organizar as informações recebidas e encaminhá-las aos órgãos responsáveis, o que contribui para a responsabilização dos envolvidos e para a proteção das vítimas.

Denúncia, memória e políticas públicas

A coordenadora-geral do Disque 100, Franciely Loyze, avalia que o aumento das denúncias reflete uma sociedade mais informada e disposta a buscar ajuda. Segundo ela, o caráter sigiloso do canal tem sido decisivo para reduzir o receio de denunciar. O serviço funciona 24 horas por dia e pode ser acessado por telefone, WhatsApp ou pelo site do Ministério dos Direitos Humanos.

A divulgação dos dados ocorre no Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, criado em homenagem aos auditores fiscais assassinados em 2004 na chamada Chacina de Unaí. Em janeiro de 2025, o mandante do crime, Norberto Mânica, foi preso. No mesmo evento em que os números foram apresentados, o governo federal aprovou a terceira edição do Plano Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo, com foco no fortalecimento da prevenção, do monitoramento e da repressão a esse tipo de prática no país.

 

 

 

Da redação

Fonte: RCN

Para receber notícias, clique AQUI e faça parte do Grupo de WHATS do Imagem da Ilha.

Gostou deste conteúdo? Compartilhe utilizando um dos ícones abaixo!

Pode ser no seu Face, Twitter ou WhatsApp!

Para mais notícias, clique AQUI

Siga-nos no Google notícias

Google News