Dia do Voluntariado: Sementes e semeadores
Há uma dimensão do voluntariado que não cabe em números, horas dedicadas ou tarefas realizadas. Ela está no encontro. Na decisão de alguém que, diante da realidade de quem está ao seu lado, escolhe não permanecer indiferente.
Ao longo da minha caminhada, aprendi que o voluntariado se sustenta em cinco grandes pilares: pertencer, permanecer, ter propósito, participar e transformar vidas.
Pertencer é reconhecer-se parte de algo maior. É compreender que a comunidade também é responsabilidade nossa e que não podemos ser indiferentes às realidades que nos cercam.
Mas pertencer exige permanecer. As mudanças mais profundas raramente acontecem no tempo que desejamos. É preciso construir vínculos, respeitar processos, atravessar dificuldades e seguir presente, mesmo quando os resultados ainda não são visíveis.
E para permanecer é preciso propósito. O voluntariado nasce da capacidade de reconhecer a dignidade, a história, os saberes e as potencialidades de cada pessoa. Não se trata de fazer por alguém, mas de construir junto.
Participar é dar concretude a esse compromisso. É sair do lugar de espectador e colocar aquilo que temos — tempo, conhecimento, escuta, experiência ou capacidade de mobilização — a serviço do coletivo. Cada pessoa tem algo a oferecer.
É desse movimento que nasce a possibilidade de transformar vidas. E talvez uma das maiores riquezas do voluntariado esteja aí: quem chega para contribuir também aprende, revê certezas, amplia seu olhar e se deixa tocar.
Gosto de pensar que somos, ao mesmo tempo, sementes e semeadores. Todos os dias podemos plantar alguma coisa na vida de alguém: uma oportunidade, uma palavra, uma escuta, um conhecimento, uma ponte. Nem sempre veremos o que nascerá. Ainda assim, precisamos semear.
Uma sociedade solidária é construída por pessoas que entendem que a realidade coletiva também lhes pertence. Diante da desigualdade, não basta indignação. É preciso presença, compromisso e disposição para agir.
Que neste Dia do Voluntariado possamos celebrar quem já escolheu colocar parte de si a serviço da comunidade, mas também provocar uma pergunta em quem ainda observa de longe: que semente eu posso plantar na vida de alguém hoje?
Mudar o mundo pode parecer uma tarefa grande demais. Mas mudar uma realidade começa com um gesto, uma presença, uma oportunidade. Quando muitos se tornam semeadores, pequenas sementes podem produzir mudanças que atravessam gerações.
Por Padre Vilson Groh - Presidente do Instituto Pe. Vilson Groh
Da redação
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