Brasil amplia estrutura própria de inteligência artificial
O Governo Federal anuncia na última quinta-feira (20) uma nova etapa da estratégia brasileira para inteligência artificial, com ações voltadas à ampliação da capacidade de processamento, formação de profissionais, pesquisa e desenvolvimento de tecnologias no país. As iniciativas integram o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que prevê R$ 23 bilhões em investimentos entre 2024 e 2028.
O pacote busca reduzir a dependência de infraestrutura estrangeira e ampliar a soberania sobre dados e tecnologias. Empresas, startups, universidades, instituições de pesquisa e governos poderão utilizar parte da nova capacidade computacional.
Supercomputador de R$ 1 bilhão
Uma das frentes prevê a aquisição, por edital competitivo, de um supercomputador de IA com investimento estimado em cerca de R$ 1 bilhão. A máquina deverá alcançar aproximadamente 7.200 petaflops, ou 7,2 quintilhões de operações matemáticas por segundo, e figurar entre as dez maiores do mundo em processamento de IA.
O equipamento será instalado no Parque Tecnológico Augusto Severo (PAX), na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com execução do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e recursos do FNDCT. A operação está prevista para o fim de 2027.
O edital também prevê transferência de tecnologia, capacitação, pesquisa e desenvolvimento e participação de fornecedores brasileiros. A expectativa é capacitar 5 mil pessoas em cinco anos.
Parceria amplia supercomputação e IA em português
Outra frente prevê uma infraestrutura de supercomputação no Rio de Janeiro, executada pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), em parceria com Huawei e iFlytek.
O projeto inclui transferência de tecnologia, pesquisa, formação profissional e desenvolvimento de uma pilha de software soberana. Também prevê um modelo nacional de linguagem de grande escala e modelos de IA em português, adaptados ao idioma, aos dados e às necessidades brasileiras.
O investimento estimado é de R$ 1,276 bilhão em cinco anos, com início das operações previsto para julho de 2027. A iniciativa deverá capacitar 3 mil brasileiros no período.
Brasil aposta em chips de arquitetura aberta
Em uma estratégia de longo prazo, com horizonte de 10 a 15 anos, o país também pretende ampliar sua capacidade de desenvolver chips com base na arquitetura RISC-V.
A tecnologia aberta permite desenvolver e adaptar componentes sem depender exclusivamente de arquiteturas proprietárias. A iniciativa será realizada em cooperação com o ecossistema de inovação de Barcelona, na Espanha, e busca ampliar o domínio brasileiro sobre tecnologias estratégicas para computação de alto desempenho e IA.
As três frentes combinam processamento, transferência de tecnologia, formação profissional e desenvolvimento de competências nacionais.
Nuvem Brasileira busca reduzir dependência externa
O Governo Federal também começa a estruturar a Nuvem Brasileira, em parceria entre os setores público e privado. A proposta é desenvolver no país componentes críticos de computação em nuvem e criar uma alternativa nacional para armazenamento e processamento de dados e sistemas.
A solução deverá utilizar padrões abertos e interoperáveis e tecnologia nacional em componentes críticos. A iniciativa também pretende estimular fornecedores brasileiros, utilizando a demanda do Estado para criar escala e desenvolver soluções para os setores público e privado.
Um acordo entre MGI, ABDI, Serpro e BNDES dará início à estruturação do projeto e à avaliação da capacidade da indústria nacional. A proposta parte da experiência da Nuvem de Governo, operada por Serpro e Dataprev.
Centro vai monitorar riscos da inteligência artificial
Outra iniciativa é o Centro Nacional de Transparência Algorítmica e IA Confiável, que será implantado pelo Centro de Pesquisa Aplicada em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
A estrutura desenvolverá pesquisas, metodologias e ferramentas para transparência, explicabilidade, auditabilidade, segurança, avaliação de riscos e redução de vieses em sistemas de IA. O objetivo é ampliar a capacidade técnica do país para identificar falhas, possíveis discriminações e outros riscos.
O Centro terá função técnico-científica. As atribuições de fiscalização e aplicação de sanções continuarão sob responsabilidade das autoridades competentes.
Na prática, o conjunto de medidas amplia as condições para que o Brasil desenvolva e treine modelos de inteligência artificial no próprio território, com aplicações previstas em áreas como saúde, agricultura, previsão climática, prevenção de desastres, indústria e serviços públicos.
Da redação
Fonte: Governo Federal
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