AVC matou mais de 50 mil brasileiros em 2026
O Acidente Vascular Cerebral (AVC), conhecido popularmente como derrame, segue como um importante problema de saúde pública no Brasil. Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) apontam que, entre janeiro e julho de 2026, foram registradas 50.424 mortes e 182.253 internações relacionadas à doença na rede pública. Os números representam uma média diária de aproximadamente 238 mortes e 860 internações.
Em Santa Catarina, a última semana de outubro é marcada por ações de conscientização sobre o AVC. A iniciativa está prevista na legislação estadual e busca ampliar o acesso à informação sobre a doença, suas formas de prevenção e a importância do atendimento rápido diante de uma suspeita.
Fatores de risco exigem atenção
O AVC acontece quando o fornecimento de sangue a uma parte do cérebro é interrompido por um bloqueio nos vasos sanguíneos ou pelo rompimento de um deles. O primeiro caso é chamado de AVC isquêmico, responsável pela maioria das ocorrências. O segundo é o AVC hemorrágico, provocado por sangramento cerebral.
Segundo o cardiologista Arthur Herdy, do Hospital Regional de São José, diversos fatores aumentam o risco de desenvolver a doença. Entre eles estão pressão alta, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo, alimentação inadequada, excesso de peso e consumo excessivo de bebidas alcoólicas.
Embora a idade e a predisposição genética também influenciem as chances de ocorrência, alguns desses fatores podem ser controlados por meio de mudanças nos hábitos e acompanhamento médico.
Entre as medidas preventivas recomendadas estão manter uma alimentação equilibrada, reduzir o consumo de sal, praticar atividades físicas e acompanhar regularmente a pressão arterial, a glicose e o colesterol. Pessoas com doenças preexistentes devem seguir as orientações dos profissionais de saúde.
Alterações na fala e fraqueza podem indicar AVC
Identificar os sintomas rapidamente é fundamental para diminuir o risco de morte e de sequelas. Alterações repentinas na fala ou na visão, dificuldade de raciocínio, dormência ou fraqueza em um dos braços e dor de cabeça intensa podem indicar um quadro de AVC.
O bancário aposentado Mauro Aquiles Verzola, de 81 anos, conhece as consequências da doença. Natural de Florianópolis, ele sofreu um AVC aos 58 anos. Os primeiros sinais apareceram ao acordar, quando percebeu que não conseguia levantar o pé da cama e sentia um peso no corpo.
Após ser levado ao hospital, recebeu o diagnóstico de AVC isquêmico, que posteriormente evoluiu para hemorrágico. O episódio provocou paralisia no lado direito do corpo.
A partir da própria experiência, Verzola reforça a importância de cuidar da saúde, principalmente para quem tem pressão alta, e de procurar acompanhamento médico.
Atendimento imediato pode reduzir sequelas
Diante de qualquer suspeita de AVC, a orientação é buscar atendimento de emergência imediatamente ou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo telefone 192.
O tempo entre o início dos sintomas e a chegada ao atendimento médico influencia as possibilidades de tratamento e recuperação. Por isso, não se deve esperar que os sinais desapareçam nem oferecer medicamentos por conta própria. Informar aos profissionais de saúde quando os sintomas começaram também ajuda na avaliação do paciente.
Leis estaduais reforçam a conscientização
Santa Catarina possui leis voltadas à prevenção e ao atendimento de pessoas afetadas pelo AVC. A Lei Estadual nº 16.950/2016 instituiu o Dia Estadual de Prevenção, Orientação e Combate ao AVC, celebrado em 29 de outubro.
Já a Lei nº 17.642/2018 estabeleceu a Semana Estadual de Prevenção ao AVC, realizada na última semana de outubro.
Em 2025, também foi sancionada a Lei nº 19.393, que criou uma política estadual de apoio às vítimas da doença. Entre as diretrizes estão a ampliação do acesso aos serviços de urgência e emergência, o incentivo à pesquisa, a realização de campanhas educativas e a oferta de ações de reabilitação com equipes multidisciplinares.
Da redação
Fonte: Alesc
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