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Avanços tecnológicos que podem mudar a medicina - Parte 2
A ferramenta CRISPR, para edição de DNA, começa a ser utilizada em experiências clínicas

Nos últimos anos, a CRISPR criou macacos com mutações programadas e também evitou a infecção do HIV em células humanas (Foto: Divulgação)

Publicado em 24/04/2017

A CRISPR está permitindo que cientistas modifiquem genomas com alta precisão, o que não se conseguia antes. Nos últimos anos, a ferramenta criou macacos com mutações programadas e também evitou a infecção do HIV em células humanas. Em outubro de 2016, na China, foi realizado o primeiro tratamento com CRISPR em um paciente com câncer de pulmão. Foram feitas a remoção das células imunológicas do paciente, a edição do genoma e, posteriormente, uma injeção dessas mesmas células no paciente, para aumentar a função imunológica especificamente contra as células do câncer.

Mais experimentos clínicos no tratamento de câncer foram aprovados nos Estados Unidos. Também se observa impressionante progresso em pesquisas com tratamento de outras doenças genéticas, como anemia falciforme. Importantes ensaios clínicos estão para começar em breve, usando esta ferramenta de edição do genoma.

Ecocardiografia através de aparelhos de telefone celular

Em 2016, aparelhos de telefone celular foram utilizados para realizar exames de ultrassom em geral. Uma ferramenta específica para captar imagens cardíacas foi desenvolvida para funcionar com aparelhos celulares que utilizam o sistema Android, conseguindo imagens de alta definição do coração. Um avanço ainda maior é o desenvolvimento de equipamentos de telefone celular que se comunicam com essa mesma ferramenta, chamada transdutor, através de uma conexão sem fio. Nesse mesmo ano aconteceu a comemoração do 200º aniversário do desenvolvimento do estetoscópio. Mas parece que novas tecnologias estão superando a ausculta cardíaca na realização do exame cardiológico do paciente.

Um laboratório na maleta

A capacidade de um ponto de atendimento diagnosticar de forma rápida e barata um significativo número de doenças infecciosas é impressionante. A lista agora inclui HIV, HPV, Influenza e Streptococcus do grupo A, e muito mais que está por vir. A plataforma para dispositivos móveis que está sendo cada vez mais utilizada torna este recurso altamente atraente para áreas mais remotas. Recentemente o Imperial College anunciou um dispositivo de memória USB que consegue acuradamente determinar os níveis de vírus HIV em uma gota de sangue.

A capacidade de detectar rapidamente uma bactéria em uma amostra de fluido corporal promete revolucionar a nossa abordagem ao diagnóstico de doenças infecciosas nos próximos anos.

Referência: Eric J. Topol, MD - Medscape


Sobre o autor

Dr. Jamil Mattar Valente

Médico cardiologista e responsável pela coluna de medicina preventiva do Jornal Imagem da Ilha


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