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Gean Loureiro: 'Florianópolis já respira outros ares'
Prestes a completar 180 dias de governo, prefeito faz balanço da sua gestão

Não me importo de ser comparado a ele (ao prefeito de São Paulo, João Dória). Como qualquer outro prefeito, ele tem suas virtudes e quer mudar a cidade que vive e que ama”, afirma Loureiro (Foto: Divulgação/PMF)

Publicado em 19/06/2017

Urbano Salles

O prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro (PMDB), conforme ele mesmo frisa, está conduzindo uma administração que "acorda cedo e dorme tarde". A definição lembra o estilo do seu colega de São Paulo, João Dória. Sua vontade de acelerar projetos, entretanto, tem se chocado com aquela que Gean aponta como a maior frustração que encontrou nesses primeiros meses no cargo: a burocracia, que emperra a cidade. Apesar dos entraves, ele se mostra otimista e garante ser possível tirar a Prefeitura do vermelho "com responsabilidade e planejamento". Confira a entrevista exclusiva concedida ao Imagem da Ilha.

O senhor em breve irá completar seis meses à frente do governo municipal. Das ações já implementadas por sua administração, qual destaca como a mais relevante?

As ações mais importantes são as de contenção de despesas, reduzindo gastos e colocando a “casa” em ordem. Somente colocando as contas em dia é que vamos conseguir implantar políticas públicas que verdadeiramente façam Florianópolis voltar a crescer. Nestes pouco mais de cinco meses fizemos muita coisa, lançamos programas importantes e mostramos para a cidade uma administração mais presente, que acorda cedo e dorme tarde.

Quando foi eleito, suas expectativas para esse período inicial eram melhores? Qual a maior frustração que o senhor teve nesses primeiros meses?

Sem dúvidas que pegamos uma Prefeitura com mais problemas do que era propagandeado. Mas isso faz parte, não estamos aqui para reclamar do passado. A frustração de qualquer administrador público fica por conta da burocracia que atrasa as ações importantes para a cidade. Não tenho medo de desafios.

A Prefeitura de Florianópolis, como ocorre em outras cidades do país, enfrenta dificuldades financeiras. Embora agravadas pela atual crise, elas podem ser amenizadas com medidas pontuais como o enxugamento da máquina pública, por exemplo? Como tirar a Prefeitura do vermelho? Isso é possível no médio prazo?

Sim, temos feito isso desde o primeiro dia. Reduzimos cargos comissionados, gastos com aluguel, benefícios exagerados na folha de pagamento. É possível, sim, tirar a Prefeitura do vermelho utilizando os recursos públicos com responsabilidade e planejamento.

Na campanha, uma das promessas era privilegiar técnicos. O senhor tem sido questionado nas redes sociais por nomeações polêmicas. A mais recente foi a de um modelo paraense nomeado para adjunto de Transporte e Mobilidade. O senhor o exonerou. Admite que houve desgaste político? 

O ex-secretário adjunto de Transporte e Mobilidade é administrador, formado pela Unisul. Logo, tem qualificação e formação. Os motivos que o levaram a ser exonerado foram por conta de denúncias na qual se envolveu e que responde junto aos órgãos responsáveis. Não me cabe julgá-lo, apenas considerei tirá-lo do governo por conta dessas denúncias. Continuo privilegiando técnicos. Aliás, temos um quadro de secretários de dar inveja a muitos governadores e presidentes. Quando for detectado um erro, um engano, será reavaliado e corrigido, se necessário. Não tenho compromisso com o erro, tampouco tenho constrangimento em corrigir rumos.

Questões ligadas à parceria público-privada no Carnaval geraram a primeira crise política do seu governo. Um pedido de abertura de CPI foi negado pelo presidente da Câmara, Gui Pereira, seu aliado. Qual experiência fica desse episódio? O senhor pensa em promover mudanças em futuras parcerias com o empresariado para evitar dores de cabeça?

Adequações serão sempre bem-vindas para aperfeiçoar a administração pública. E a resistência ao novo também é normal. A Parceria-Público-Privada já é uma realidade há muito tempo em países de primeiro mundo e começa a ganhar força no Brasil. Não há outro caminho para as cidades em crise a não ser contar com o apoio do privado em áreas onde o poder público não precisa investir recursos públicos.

O senhor viajou para a Espanha, sem custos para a Prefeitura, em busca de recursos principalmente para os corredores de ônibus. O BRT é contestado por diversos especialistas e há dúvidas sobre a sua viabilidade técnica e financeira no trajeto desenhado do "anel viário". Por que o senhor escolheu o conceito do "Rapidão"? Não seria recomendada uma audiência pública para tratar especificamente dos impactos do BRT no trânsito?

Eu não escolhi o “Rapidão”. Quem escolheu foram os técnicos que formataram o Plano de Mobilidade Urbana Sustentável da Grande Florianópolis, o Plamus, contratado pelo Governo do Estado. Plano este, diga-se de passagem, que é o mais aprofundado e técnico da história da região. Entre os especialistas que estudaram os modais na região e os especialistas palpiteiros, eu fico com os que estudaram. Florianópolis sempre foi assim, controversa. E por conta destas discussões intermináveis, estávamos estagnados na área de mobilidade. As coisas vão mudar.

Sua esposa, a arquiteta Cintia de Queiroz Loureiro, tem sido ferrenha defensora da sua administração nas redes sociais. Recentemente, um comentário rendeu desconforto. Ela elogiou os comissionados, gerando reações negativas entre funcionários efetivos...

Que bom que ela tem sido minha defensora (rsrs). Ela defendeu, sim, os comissionados dedicados, mas nunca disse que eles são mais produtivos que os efetivos. Aliás, ela é filha de funcionários públicos, iria contra o que ela pensa.

O Núcleo de Empreendedores Culturais da cidade comentou recentemente sobre a sua intenção de acabar com a Lei Municipal de Incentivo à Cultura. O senhor confirma essa medida? O fim da lei não traria grandes prejuízos à economia criativa da cidade?

O Núcleo provavelmente está desinformado. Nunca fiz qualquer menção a acabar com a Lei Municipal de Incentivo à Cultura. Sou um grande defensor da cultura e tenho dedicado esforços junto à equipe para valorizá-la cada vez mais.

O vereador Pedrão vem se preparando para disputar a Prefeitura em 2020. Seria seu maior adversário caso o senhor tente a reeleição?

Estou há pouco mais de cinco meses como prefeito, minha preocupação está focada totalmente em recuperar a cidade e torná-la novamente sustentável e em crescimento. Acredito que o vereador Pedrão também esteja pensando nisso, ou pelo menos deveria.

O senhor tem se inspirado no prefeito de São Paulo, João Doria, em algumas das suas ações? Acordar às 6h para andar de ônibus, por exemplo...

Muito antes do prefeito João Dória ter ganhado toda essa repercussão, eu já acordava antes das 6h para trabalhar. Talvez este tenha sido um dos motivos por eu ter sido eleito. Mas não me importo de ser comparado a ele. Como qualquer outro prefeito, ele tem suas virtudes e quer mudar a cidade que vive e que ama.

Para os críticos que avaliam que sua administração ainda não decolou, qual recado daria?

Eu diria a eles que se juntem à maioria que acreditou na nossa proposta de governo e nos ajudem a transformar a cidade. Florianópolis já respira outros ares, conta com uma administração mais presente e que ouve as comunidades.