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O distúrbio que afeta a mastigação e os dentes de 40% da população
Problema que se agravou com a pandemia

As causas, na grande maioria dos casos, estão ligadas ao estresse, ansiedade exagerada e dificuldade de lidar com a pressão (Foto: Internet/ Reprodução) **Clique para ampliar

Publicado em 06/10/2023

A pandemia deixou inúmeras sequelas e uma delas foi o aumento e o agravamento dos casos de bruxismo - aquele hábito de ranger ou apertar os dentes, seja dormindo ou acordado. Categorizado como um distúrbio, que ocorre no sistema nervoso central e afeta a mastigação e os dentes, o bruxismo afeta cerca de 40% da população brasileira.

A professora de Odontologia da UniSociesc, Flaira Rita Albino dos Santos, explica que o bruxismo tecnicamente é conhecido como uma parafunção, ou seja tudo o que se faz com a boca e os dentes que não seja mastigar e engolir, falar ou respirar. Muitas vezes, segundo ela, a pessoa que apresenta bruxismo também tem outras parafunções, como roer unhas, morder objetos ou até mascar chiclete o tempo todo.

“As causas, na grande maioria dos casos, estão ligadas ao estresse, ansiedade exagerada, dificuldade de lidar com a pressão. Então, em muitos casos não basta apenas sugerir o uso de uma placa miorrelaxante, estabilizadora ou oclusal, como é conhecida. É preciso encontrar a raiz do problema e para isso o tratamento multidisciplinar é fundamental, envolvendo profissionais da saúde mental, da educação física, da fisioterapia, entre outros”, explica a professora.

Crianças e adolescentes precisam de cuidados diferenciados

Um outro aspecto que Flaira lembra é que crianças e adolescentes também sofrem com o bruxismo - sendo que os diagnósticos aumentaram durante e após a pandemia. Mas com este público, é preciso um cuidado diferenciado em relação ao uso das placas. Como as placas são rígidas, podem impedir o crescimento dos maxilares, por exemplo, se o acompanhamento não for adequado. “Nas crianças é necessário ir trocando a placa com frequência e acompanhando detalhes”, aponta.

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Flaira explica que muitas pessoas chegam ao consultório reclamando de aspectos provocados pelo bruxismo, mas não fazem ideia do que é este distúrbio. “Às vezes a pessoa chega com um dente desgastado, ou reclamando que sente o dente mole, ou quebrou um dente e não sabe bem como isso aconteceu e nós identificamos o bruxismo”, observa. Conforme a especialista, o bruxismo não tem cura, mas poderá ter os sintomas controlados.

Fique atento aos sinais e busque ajuda profissional

Nos casos graves, conforme Flaira, o bruxismo pode quebrar dentes num nível que será necessário fazer um implante ou pode afetar a mastigação ou a própria fala, tamanha é a dor sentida pelo paciente. “Precisamos falar do tema e alertar para sinais como: dores de cabeça, que podem começar de forma sutil; desconforto, dores ou até barulhos nas articulações da mandíbula (ao abrir e fechar a boca); dores no pescoço ou nos ombros. Entendendo os sinais o paciente consegue buscar o diagnóstico e tratamento antes que o caso se torne grave”, diz Flaira.

“Quando a causa inicial do bruxismo não está relacionada ao estresse e a ansiedade em níveis elevados, pode ocorrer por causa da má-oclusão, do refluxo, da apneia do sono, de uma vida sedentária, do uso de alguns medicamentos ou do uso de álcool e drogas, por exemplo”, destaca a especialista. Flaira acredita que melhorando hábitos de saúde (alimentação, atividade física, gerenciamento de emoções, limitar uso da cafeína e das telas) já é possível prevenir e melhorar a intensidade dos sintomas.

Exames ajudam a ter certeza do diagnóstico

Em relação ao aumento de casos na pandemia e após, ela acredita que foi um momento de alto nível de estresse para toda a população que impactou em hábitos ligados à saúde e bem-estar das pessoas. Um estudo da USP aponta que pacientes com níveis altos de estresse são quase seis vezes mais propensos ao bruxismo quando estão acordados. “Mesmo quando ocorre o ranger ou apertar os dentes com a pessoa acordada, ela tem dificuldade de identificar. Mas hoje existem vários exames que ajudam a dar certeza no diagnóstico, como exames musculares ou realizados durante o sono”, diz.

“Às vezes a pessoa está tão concentrada, com tanta pressão no momento de trabalho, por exemplo, que aperta os dentes sem perceber a força que está fazendo. Isso também ocorre com atletas durante os treinos. Nestas horas eu mesma uso um aplicativo que me ajuda a lembrar de desencostar os dentes, como aqueles aplicativos que lembram que precisamos beber água”, conta a professora. Ela ainda destaca que na Clínica Integrada da UniSociesc são realizados atendimentos odontológicos com preços muito acessíveis para a população carente.  

Da redação

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