00:00
21° | Nublado

Entrevista exclusiva
Paulinho Moska fala sobre o show em parceria com a Camerata Florianópolis

Conhecido por sua pluralidade musical, esta não será a primeira experiência do artista com uma orquestra. (Foto: Divulgação)

Publicado em 21/03/2017

A união de grandes nomes da MPB com os músicos da Camerata Florianópolis caiu no gosto do público e tem levado centenas de pessoas às apresentações. Desta vez, o concerto inédito será com Paulinho Moska, um dos mais versáteis e criativos artistas da atualidade no Brasil. A apresentação acontece dia 25 de março, às 21h, no Centro de Cultura e Eventos da UFSC. Moska concedeu uma entrevista exclusiva ao Imagem da Ilha nesta semana: 

Imagem da Ilha: O que significa para você e sua carreira voltar a se apresentar em Florianópolis, sobretudo num projeto inédito com a Camerata de Florianópolis?

Paulinho Moska: Floripa é uma cidade linda, tenho nela a mesma sensação que experimento no Rio de Janeiro, onde vivo: são cidades solares que nos iluminam de alegria. Há uma atmosfera de leveza em Floripa que é muito perceptível nas pessoas que vivem aí. Cantar nessa cidade junto à uma orquestra é realmente um privilégio, uma combinação perfeita. Agradeço muito o convite.

Você já se apresentou com outras orquestras. Qual a sua opinião sobre estas fusões experimentais de formação orquestral clássica com outros gêneros?

Na verdade está será a segunda vez que vou cantar um show inteiro com uma orquestra. A primeira vez foi com a orquestra de cordas de Curitiba (violões, bandolim, viola, violoncelo, piano, baixo e bateria) e já gravei muitas vezes com um quarteto de cordas, mas posso considerar que o show com a Camerata Florianópolis será o primeiro com uma formação mais clássica (cellos, violinos, violas...). A verdade é que a sonoridade de uma orquestra clássica é tão linda e especial que qualquer música melhora muito com um bom arranjo de cordas. Uma orquestra é sempre bem-vinda, revela cores e intensidades das mais diversas à composição. Estou muito curioso para conhecer os arranjos que estão sendo feitos para minhas canções.

Possui outras parcerias com a Camerata de Florianópolis no futuro?

O que posso garantir é que sempre estarei disponível para projetos como esse. A Camerata de Florianópolis vai me dar um grande presente e vou ficar devendo a gentileza. Vou torcer para conseguirmos realizar mais shows juntos.

Quais são os projetos que você está envolvido atualmente?

Estou escrevendo as respostas dessa entrevista num quarto de hotel em San José (Costa Rica). Estou aqui para filmar o décimo episódio de uma nova série de TV pela América Latina que estou realizando. Serão 12 episódios de 52 minutos em cidades latinas conhecendo cientistas, músicos e artistas visuais. Faço uma canção e uma tatuagem permanente em cada país. No final também sairá um novo disco. Em junho vou filmar a 12ª temporada do Zoombido (série musical que realizo no Canal Brasil desde 2006). Dessa vez será só com artistas latinos, um total de 26, de todos os cantos da América.

Além de cantor, você também compõe para outros profissionais. De onde vem sua inspiração para as composições?

Posso fazer uma pequena lista de onde vem minha inspiração: da vida, do mundo, das pessoas, dos livros, da pintura, da fotografia, das conversas, dos filmes, das canções, das saudades, dos crepúsculos, do silêncio, do pensamento, dos quadrinhos, do teatro, das comidas, dos lugares, das viagens da mente, das abstrações, do cotidiano, da curiosidade, do amor, da desilusão, do desejo, dos sonhos, da ciência, do tempo, das galáxias, do meu jardim, dos morcegos, das proteínas, dos átomos de carbono, mas a inspiração não está nas coisas e sim em como você se relaciona com elas.

Você é um artista ativo no meio musical: cantor, compositor e diretor de festivais. Possui preferência por algum desses ofícios ou ele são complementares? Por quê?

Sempre fui uma pessoa multidisciplinar, a especialização nunca pareceu um caminho bom pra mim. Meu interesse por coisas diversas me levou a construir uma obra mais ampla, que vai além da música. As séries de TV, a fotografia e meu trabalho como ator tem a mesma importância que a música tem pra mim. Hoje sinto que cada prática que exercito potencializa a outra, é uma retroalimentação e com isso tento encontrar uma linguagem própria, que eu mesmo não sei definir, mas sinto que se torna cada vez mais natural pra mim.

Como você avalia o cenário da MPB atualmente no Brasil?

É um país gigante, impossível fazer uma avaliação correta. Não podemos confundir "música" com o "mercado da música". Eu acho que a MPB vai muito bem e apesar de estar um pouco fora do "main stream", não paro de escutar jovens talentosos de todos os cantos do país produzindo muita música linda, simples e sofisticada ao mesmo tempo, que é a imagem clássica do que chamamos MPB. 

Você costuma visitar Florianópolis? O que mais gosta de fazer aqui?

Nunca fui a Floripa só para passear. Estou sempre correndo do aeroporto pro hotel, do hotel pro teatro, indo a restaurantes e fazendo pequenos passeios. Adoro comer ostras, sempre me levam a lugares diferentes para comê-las. Já cantei em algumas praias também. Delícia pura!

 

Da Redação