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Saúde mental: a importância de se falar sobre o assunto

'É preciso entender e desconstruir preconceitos sobre a depressão”, destaca especialista

Publicado em 15/09/2020

A pandemia provocada pelo Covid-19 vem causando danos econômicos e sociais sem precedentes, tornando-se assim uma condição particular de estresse que impacta a todos e aumenta o risco de desenvolvimento de transtornos mentais. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada 40 segundos uma pessoa morre por suicídio no mundo - e no Brasil esse número passa de 12 mil mortes por ano. Desse total, cerca de 96,8% dos casos estão relacionados a transtornos mentais como, por exemplo, depressão.

Nelson Jr. Cardoso, Mestre em Saúde Mental e Atenção Psicossocial, explica que dentro da discussão sobre os impactos da pandemia na saúde mental é necessário destacar um ponto, que é o aumento no índice de suicídios. “É percebido que com a evolução e disseminação da doença, os efeitos a longo prazo são vivenciados pelas pessoas em vários segmentos de suas vidas, podendo causar uma implicação maior em grupos mais vulneráveis. Assim, indiretamente há uma influência sobre os índices de comportamento suicida”.

Nelson reforça ainda que é extremamente necessário falar sobre o assunto.  “É importante buscar entender o que é e principalmente desconstruir os preconceitos e conhecimentos distorcidos sobre quem sofre com depressão”.  Estigmas com pessoas e familiares diagnosticados com Covid-19, além das mudanças na rotina, no ensino, podem gerar um sofrimento e acabar virando gatilhos para a ideação suicida. Nesse cenário o professor ressalta que é importante manter contato, mesmo que virtual, com a rede de apoio: familiares, amigos e vizinhos.

É importante ressaltar que o suicídio não é uma doença - mas um fenômeno multifatorial e complexo. Ou seja: a pessoa que tem ideações suicidas está em um processo de sofrimento, que pode estar relacionado a vários fatores: perda de emprego, separação conjugal, perda de um familiar (morte), problemas financeiros, entre outros.

Há sinais comuns que podem anteceder um comportamento suicida. Devem servir de alerta: o isolamento afetivo e o sentimento de solidão: desamparo e desesperança; autodesvalorização; crise existencial; exposição frequente a situações de risco, e relato de ideações e planejamento para cometer o suicídio.

As pessoas próximas devem estar atentas aos sinais. “É importante que os familiares busquem entender que esses sintomas não significam fraqueza ou preguiça por parte da pessoa. Em vez disso, familiares e amigos devem compreender que o indivíduo está sofrendo e que tais sinais podem indicar o início de um adoecimento. Isso exige escuta, acolhimento sem julgamentos e ajuda para que a pessoa aceite apoio/tratamento”.

Da redação