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GABRIEL DO BATUQUE
Menino de oito anos transforma tudo em música

Foto: Arquivo Pessoal

Publicado em 18/11/2015

Com menos de dois anos de idade, em vez de conversar, Gabriel tinha um gosto peculiar: ele preferia tocar. De preferência instrumentos de percussão, como tambor e bateria. Parecia que os sons emitidos faziam parte da personalidade do menino, que hoje, aos oito anos, exala música. Tanto que foi personagem principal de documentário produzido pela mãe, a jornalista Vanessa Pedro. Só para constar: no dia da conversa, ele levou suas baquetas e o ritmo foi criado no banco do parque. Foi bonito de ver e ouvir!

“Desde o início notei esse talento do Gabriel, essa sua sensibilidade aflorada com os ritmos”, lembra a mãe. Até a bola de futebol servia de instrumento musical para o pequeno. Foi no aniversário de um ano que ele ganhou a primeira bateria, “e era bem pequena”, ele lembra. Naquela época eles se mudaram para o Rio de Janeiro, devido a um projeto de pesquisa de Vanessa. A sala de casa era coberta por instrumentos, que mãe, filho e amigos tocavam juntos. “Eu gosto muito de música, mas não toco nada profissionalmente”, diz a mãe. Os dois costumam ouvir juntos os clássicos dos Beatles.

Durante um período, a sensibilidade aguçada para a música foi substituindo a capacidade para a fala. “Em conversa com outras pessoas, concluí que o Gabriel estava atrasado para falar. Mas só tive certeza quando, aos quatro anos, ele me pedia para repetir as palavras que eu falava”, conta Vanessa. Ele apresentava uma perda auditiva de moderada a severa e começou a usar aparelho para aperfeiçoar a audição. Hoje, sem o aparelho, ele consegue ouvir cerca de 50% da capacidade normal. Mas em tudo ele encontra ritmo. “Até mesmo com barulho insuportável de obra ele encontra uma maneira de batucar”, diz a mãe.

A viagem para Nova Iorque

No final de 2013, mãe e filho deixaram Florianópolis para morar um ano em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Lá, Gabriel chegou e logo se enturmou, mesmo sabendo apenas duas frases em inglês ensinadas por Vanessa no avião. Mesmo assim, isso não foi obstáculo para o menino. Nos primeiros dias estava matriculado no colégio e cheio de amigos. Do que ele sente falta de Nova Iorque? “Das festas de Dia das Bruxas (Halloween), das lojas de brinquedos gigantes de lá e do Central Park, local em que íamos sempre para andar de patins ou escutar os músicos tocando”, lembra Gabriel.

O documentário

Com a ideia de pegar uma experiência pessoal e transformar num produto cultural, Vanessa viu nos registros musicais de Gabriel, gravados ao longo dos anos, a oportunidade de montar o curta-metragem “Música de menino e outras histórias”, que conta ainda com mais três personagens ligados à música. O filme tem 24 minutos e Gabriel é o fio condutor da história. “Espero que o filme possa tocar as pessoas através dessa sensibilidade dos personagens”, explica Vanessa Pedro. Em breve o material estará disponível na internet.

Acesse o documentário Música de menino e outras histórias:

Versão principal: https://vimeo.com/81529254

Versão com legendas em inglês: https://vimeo.com/98445849

Gabriela Morateli Giordani