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SC na rota do vinho
Vendas da vitivinicultura catarinense de altitude está consolidada e cresce 15% ao ano

A 4ª Vindima de Altitude aconteceu em março deste ano, em São Joaquim, e teve participação de 55 mil pessoas (Crédito: Reprodução)

Publicado em 09/05/2017

No final dos anos 1990, alguns produtores começaram a plantar uvas viníferas na serra catarinense, região até então sem tradição na área. Quinze anos após a primeira safra e incentivados pelas pesquisas científicas, estes vitivinicultores agora estão consolidados e possuem um crescimento de vendas de 15% ao ano. O epicentro da atividade é o município de São Joaquim, que fica a 230 quilômetros da capital catarinense e a 1.360 metros de altitude. Na serra e no Meio-Oeste catarinense, há 35 vinícolas, das quais 20 produzem 160 rótulos de vinhos finos. 

Esse crescimento chama a atenção de apreciadores da bebida em outras regiões do Brasil e do mundo, que lançam seus olhares a esse mercado em Santa Catarina. Recentemente, o jornal de veiculação nacional Valor Econômico divulgou alguns dados em matéria especial sobre a produção de vinhos aqui no Estado. São 1,4 milhão de garrafas por ano, que rendem um faturamento estimado em R$ 150 milhões.

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"Vamos ter vinhos muito bons", afirma Vinicius Caliari, gerente de pesquisa da estação experimental da Epagri no município de Videira e coordenador da Câmara Setorial da Uva e do Vinho de SC, destacando a safra deste ano. De acordo com ele, serão 1,6 milhão de quilos de uva colhidos, 30% a mais que em 2016, quando ocorreu uma geada tardia. Embora o tamanho das vinícolas catarinenses seja relativamente pequeno – em média sete hectares –, o investimento não é nada desprezível. Cada hectare demanda em torno de R$ 70 mil apenas com a preparação do vinhedo.

Alguns destaques catarinenses são os vinhos de uvas Chardonnay e Sauvignon Blanc e vinhos rosés que estão acima da média nacional (Foto; Bruno Rosa)

Os especialistas ensinam que a arte de fazer vinhos finos requer sensibilidade, conhecimento e tecnologia. Outros ingredientes-chave são paciência e algum capital para investir, pois a qualidade da bebida se constrói aos poucos e o negócio tem retorno demorado. Nada disso se sustenta sem um bom "terroir", o conjunto de fatores ambientais que influenciam as características dos vinhedos, como solo, clima, chuvas e relevo.

Roteiros de enoturismo

Depois do desafio inicial de montar seus negócios, os produtores buscam abrir mercados e fomentar roteiros regulares de enoturismo. Nisso, são favorecidos pela paisagem deslumbrante da Serra Geral, com seus campos, nascentes e florestas de araucária, mas ainda precisam superar as lacunas em hospedagem, gastronomia e transportes.

O proprietário da Vinícola Villagio Grando, Guilherme Grando conta que já fez vendas para os Estados Unidos e está abrindo novos mercados na Europa e África. A empresa dele e de outros empreendedores vão literalmente colher os frutos do trabalho realizado nos anos 1980 pela Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de SC, então denominada Acaresc), que plantou diversas variedades de uva em estações experimentais. Os pesquisadores constataram que a região de São Joaquim, com altitudes entre 900 e 1,3 mil metros, verões frescos e invernos gelados, produz colheitas tardias excelentes.

Com informações de Dauro Veras/Valor Econômico