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Vida dedicada à música
Com mais de 200 recitais no currículo, o pianista Alexandre Dietrich vive importante momento na carreira

Alexandre Dietrich: “Não consigo e não aceito como artista, uma pessoa que vive na mesmice de um local, de apenas um teatro ou região. O artista precisa ser visto e ver seus pares, o trabalho de artistas diferentes. Quanto mais este intercâmbio acontecer, maior será nossa riqueza cultural” (Foto: Divulgação)

Publicado em 26/10/2017

Larissa Gaspar

O menino que se sentou ao piano e passou os dedos pelas teclas do instrumento pela primeira vez em frente ao público da escola em que estudava talvez não imaginasse que se tornaria um dos pianistas mais atuantes no cenário catarinense. Alexandre Dietrich lembra com nitidez da sua primeira apresentação pública e do que sentiu ao poder mostrar às pessoas aquilo que já amava incondicionalmente. Desde aquele dia, o sentimento esteve presente. “É minha alma”. É assim que o pianista com mais de 20 anos de carreira resume a importância da música em sua vida.

Durante a infância e adolescência, Alexandre estudou em escola luterana, onde a prática musical é constante no currículo desde as fases iniciais de estudo. Naquela época, o piano já chamava sua atenção e o desejo em aprender o instrumento apenas crescia. Anos mais tarde, a paixão transformou-se em profissão quando ele completou a graduação em Bacharelado em Música - Piano pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Alexandre soma mais de 200 recitais didáticos em seu currículo, realizados por todo o estado catarinense - ora de piano solo, ora com cantores, ou instrumentistas como o violino.

O pianista, que se define como um intérprete de compositores clássicos ou eruditos, apresentou recentemente dois concertos em teatros de Florianópolis: Fraternidade In Concert e Recital em Canto e Piano - Canções de amor - ambos com programa de compositores clássicos. Como intérprete, Alexandre acredita ser o meio de comunicação para divulgar ao público o que o compositor expressou em sua obra musical. “O intérprete deve sim, seguir rigorosamente o discurso musical e para isso o estudo intenso do instrumento é de suma importância. Isto é fascinante! Vários pianistas podem tocar a mesma obra musical, com nuances sonoras, andamentos, e técnica pianística diferentes, mas não saem do discurso musical que o compositor escreveu”, explica.

ESTUDO

Além da graduação em Música, Alexandre também participou de inúmeros cursos "Master Class" sobre música, interpretação musical e performance ao piano. “Não se pode ficar isolado em quatro paredes tocando para si”, ressalta. Ele também estudou semestre nos Estados Unidos, no curso de Piano Performance da University of Georgia, que equivale ao mestrado no Brasil. “Não continuei por questões pessoais, mas pretendo terminar”, revela.  

De acordo com ele, o piano é como um laboratório de um cientista, em que cada tecla é um tubo de ensaio. “O compositor é o responsável por criar a fórmula química, e o intérprete é responsável por executar tal fórmula. Nós pianistas, misturamos os recipientes, os tubos de ensaios no piano, e colocamos em prática a fórmula que o cientista criou”, conta. 

Para o pianista,  público sente falta de apresentações de grupos de orquestra, grupos vocais e outros. “O que nos falta é o incentivo, a ajuda para desenvolvermos nosso trabalho profissionalmente”

POLÍTICA CULTURAL

Alexandre também foi contemplado com o prêmio Elisabete Anderle. “Fui vencedor do Prêmio de Intercâmbio. Realizarei três recitais de piano solo apresentando obras de compositores brasileiros e catarinenses como Heitor Villa Lobos, Francisco Mignone, Camargo Guarnieri, Edino e Aldo Krieger”, comemora. O projeto “Piano Internacional” recebeu 21 mil reais do edital. Com o valor, o pianista irá realizar concertos na Universidade da Costa Rica, e ministrará um curso sobre técnica e interpretação pianística, em Milão (Itália) e em Alexandria (EUA).

Apesar de acreditar na importância dos editais, o pianista destaca que o estado ainda não está num patamar digno em relação aos incentivos a artistas. “A ajuda por parte dos órgãos públicos é cada vez menor, ou em alguns anos foi nula. Falo isso categoricamente, uma vez que em meus concertos, sempre todos lotados, verifica-se a vontade, o consumo do público para com a música erudita. Quanto mais incentivo o artista possuir, mais público teremos!”.

Para ele, os editais e concursos devem ser cada vez mais ampliados e a verba financeira aumentada. “Acho que Santa Catarina tem muito a desenvolver no âmbito cultural. Podemos  ter uma programação cultural igualitária a grandes centros culturais como São Paulo e Rio de Janeiro. A democratização da música erudita é de extrema importância para o aumento da intelectualidade e desenvolvimento cultural de nosso povo”, finaliza.