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Vai ter banho de mar?
CASAN e Prefeitura de Florianópolis anunciam projeto que pretende despoluir Beira-Mar Norte

A garantia da balneabilidade da Beira-mar está centrada basicamente na coleta do esgoto lançado irregularmente em 20 canais de drenagem (Foto: Divulgação / Casan)

Publicado em 26/10/2017

A despoluição das baías norte e sul e a intenção de colocar um guarda-sol na avenida foi uma das promessas de campanha de Esperidião Amin em 1988. A proposta não foi cumprida no mandato do ex-prefeito, mas o projeto retornou à pauta política em outras gestões – sem nunca sair do papel. Uma parceria entre a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) e a Prefeitura de Florianópolis, no entanto, promete novamente tornar próprio para banho o trecho de 3,5 quilômetros entre a Guarnição de Busca e Salvamento do Corpo de Bombeiros Militar (GBS), próximo à ponte Hercílio Luz, e a Ponta do Coral.

O projeto de despoluição da orla ao longo da Avenida Beira-Mar Norte foi anunciado pelas instituições no começo de outubro. Diferente da proposta de Amim, o projeto prevê somente a despoluição da baía norte. De acordo com o relatório técnico da Casan, uma das principais causas da poluição da baía é a ligação irregular de esgoto diretamente na rede de drenagem, que, atualmente, não têm nenhum tipo de tratamento. “O projeto de despoluição visa interceptar essa água misturada ao esgoto e tratá-la antes de despejá-la no mar”, explica o presidente da Casan, Valter Gallina.

O plano de trabalho prevê que cada uma das saídas da rede de drenagem pluvial receberá um sistema próprio de captação e bombeamento. Serão 15 a 20 pequenas estações elevatórias conduzindo esta mistura de chuva com esgoto até a Unidade Complementar de Recuperação Ambiental (URA) Beira-Mar. Desinfetada e clarificada, a água será lançada na Baía Norte, mas sem coliformes fecais. 

“Os coliformes fecais (bactérias responsáveis pela transmissão de doenças) se movimentam apenas com a força das correntes, chegando, no máximo, a 150 metros de distância de onde foram despejados. Ao entrar em contato com a água salgada, essas bactérias morrem em aproximadamente uma hora”. É por este motivo que a despoluição apenas da baía norte é um projeto “mais facilmente realizável”.

Em laranja, o trecho que receberá de 15 a 20 estações elevatórias para tratamento da água misturada ao esgoto. 

O projeto

Para levar adiante a ideia de despoluir a orla da Beira-Mar Norte, será instalada junto à Estação Elevatória da Casan - área conhecida como Bolsão -, uma URA, que vai tratar a água contaminada da rede de drenagem antes de lançá-la ao mar. De acordo com a Casan, a URA terá capacidade de tratar quase 13 milhões de litros por dia. A estimativa é que sejam investidos R$ 24,5 milhões, com recursos da Casan. A previsão de término em oito meses após o início das obras.  

Para o vereador Lino Peres (PT), a obra não vai solucionar o real problema: esgotos clandestinos em canais de drenagem. “É mentira dizer que a Beira-mar Norte vai voltar a ter balneabilidade, já que a estação vai limpar apenas coliformes fecais. Existem diversos outros medidores a serem levados em conta (como óleos e graxas, PH, turbidez). É uma maquiagem, já que as medições da Fatma [Fundação do Meio Ambiente] são apenas de coliformes”, comentou em sua rede social.

As análises realizadas pelo Laboratório de Efluentes da Casan para monitoramento da Baía Norte apresentaram resultados que deram suporte ao projeto de despoluição da região. Esse acompanhamento mostra que a menos de 200 metros da areia da praia a água se apresenta dentro dos parâmetros de balneabilidade da Fatma. “Solucionado estes focos, a balneabilidade poderá ser recuperada”, diz o engenheiro Jair Sartorato, superintendente da Região Metropolitana da Casan. 

 

Da Redação