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Obesidade atinge 19% da população brasileira e 54% está com sobrepeso

Além do Índice de Massa Corpórea, é importante identificar também a chamada obesidade visceral, ligada diretamente ao tamanho da cintura (Imagem: Divulgação)

Publicado em 12/06/2017

Nos últimos 10 anos, o número de brasileiros obesos aumentou em 60% e mais da metade da população está acima do peso, segundo dados do Ministério da Saúde. Hoje, a cada cinco brasileiros, um está obeso. A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta a obesidade como um dos maiores problemas de saúde pública no mundo: a projeção é que, até 2025, mais de 700 milhões de adultos estejam obesos e cerca de 2,3 bilhões com sobrepeso. 

A endocrinologista Juliana Ferreira de Oliva e a nutricionista Patricia Rondello Mariano Silvestre, esclarecem que, para diminuir e reverter este quadro, é preciso primeiro que as pessoas entendam que a obesidade é fator de risco para doenças crônicas, como hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares e câncer. “Estas e outras doenças crônicas correspondem por 72% dos óbitos no país”, conta a Dra. Juliana.

Já a nutricionista Patricia Rondello revela um outro grave problema: hoje a nutrição está banalizada. “Com poucos cliques, qualquer pessoa tem acesso a diferentes dietas “milagrosas” na internet. Invariavelmente, estas pessoas acabam se frustrando e só aí percebem que precisam da ajuda de um especialista. É importante respeitarmos as particularidades de cada pessoa durante o processo de perda de peso e busca por uma vida mais saudável”. As profissionais citam a genética, o sedentarismo e a alimentação como os três principais fatores de risco para a obesidade. Outros fatores como os hormonais, psicológicos, medicamentos, qualidade do sono e parada do tabagismo também podem contribuir para o início ou agravamento da doença.

Procurar ajuda de profissionais qualificados é a melhor decisão quando o assunto é o tratamento da obesidade. Os resultados podem ser potencializados se o paciente for atendido por uma equipe multiprofissional. Na base da pirâmide do tratamento para obesidade estão a reeducação alimentar, a mudança de hábitos e comportamentos e realização de atividade física. Dependendo do caso, pode ser incluído neste processo o tratamento farmacológico, com a recomendação de medicamentos específicos para cada paciente. Segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o paciente deve primeiramente tentar perder peso com a alteração nos hábitos alimentares e com a prática de exercícios físicos. Se passados dois anos com falha na redução de peso, o paciente deve procurar um médico para avaliar se preenche os requisitos para a realização da cirurgia bariátrica.

A principais consequências da obesidade são problemas cardíacos, apneia do sono, Acidente Vascular Encefálico (AVC), aterosclerose, hipertensão arterial, diabetes, distúrbios psicológicos e problemas articulares. Além dos problemas de saúde, a obesidade acaba comprometendo também as atividades mais básicas do dia a dia. “Coisas simples, como subir um pequeno lance de escadas ou simplesmente brincar com os filhos, acabam sendo tarefas muito árduas”, lembra a Dra. Juliana.

Prevenir é o melhor remédio

Buscar ajuda profissional somente quando o problema de saúde aparece, continua sendo um dos grandes desafios. “Assim como o hábito de se alimentar adequadamente, o acompanhamento médico deveria ser uma rotina”, revela a Dra. Juliana de Oliva. Atenção também com a saúde mental. “Tenha o hábito de desestressar-se frequentemente por meio de atividades que lhe tragam prazer. E lembre-se sempre de dedicar um tempo à você mesmo”, orienta.

A prevenção e o controle da obesidade necessitam de mudança de comportamentos, ou seja, de  hábitos e estilo de vida. “Muitas vezes não adianta apenas a pessoa ir três vezes por semana na academia, se outros hábitos corriqueiros não forem ajustados. A prática de atividade física deve ser feita regularmente. Isso inclui, por exemplo, dar preferência por utilizar as escadas em seu local de trabalho e realizar percursos à pé sempre que possível”, alerta a endocrinologista da NotreDame Intermédica.

Veja abaixo 5 dicas de reeducação alimentar organizadas pela nutricionista Patricia Rondello:

- Não existem alimentos proibidos. Existem, porém, aqueles que não devem ser consumidos constantemente, como frituras, industrializados e aqueles com excesso de açúcar ou gordura aparente.

- Comece pela limpeza de seu organismo consumindo muita água. A recomendação da Organização Mundial de Saúde é que se consuma 2 litros de água por dia.

- Não pule as refeições. Café da manhã, almoço e jantar são as mais importantes.

- Faça lanches intermediários. Este hábito irá ajudar a consumir uma quantidade menor de comida e escolher os alimentos certos nas principais refeições.

- Mastigue lentamente. A mastigação é muito importante no processo de reeducação alimentar. Tente realizar as refeições principais em, pelo menos, 20 minutos. Mastigando lentamente, a sensação de saciedade aparecerá mais rápido e, consequentemente, a quantidade ingerida será a ideal para aquele momento.

Da redação