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Escola do Mar e UFSC promovem ações para preservar animais marinhos

Na Baía Norte foram coletados lixo e amostra de água e sedimentos para análise

Publicado em 09/06/2017

A  Escola do Mar, projeto da Secretaria de Educação de Florianópolis, participa da Jornada, que acontece esta semana, sobre Acidificação dos Oceanos (https://acidificacao-oceanica.org/). O evento, que discute as origens e as conseqüências do aumento da acidez nas águas, foca também na compreensão dos problemas globais associados ao oceano, como a sobrepesca e a deficiência de estratégia de conservação.  Estes temas estão sendo debatidos igualmente na ONU, Organização das Nações Unidas, para promover um desenvolvimento sustável.

No último sábado, numa atividade da Escola do Mar e do curso de Oceanografia da UFSC, universitários e professores receberam a comunidade para divulgar os temas da Jornada e quantificar o lixo flutuante.

A bordo do barco-escola, utilizado pela Escola do Mar, também foram coletadas amostras de água e de sedimentos da Baía Norte para análise dos contaminantes derivados de petróleo e provenientes do uso de remédios (como hormônios das pílulas e os anti-inflamatórios), que são liberados no ambiente pelos esgotos domésticos.

Foram feitas medidas da concentração de oxigênio na água e do pH, responsável por  indicar se o mar está ácido. Na água do mar, o pH é de 8,0, quando o pH abaixa para 7,8 há  um ambiente ácido para muitos organismos. O oceano já aumentou em 26% a sua acidez, prejudicando a pesca, a aquicultura e a conservação dos ecossistemas.

Por exemplo, as conchas e os esqueletos dos animais marinhos, como ostras e peixes, sofrem descalcificação em ambiente ácido, o que provoca a diminuição deles e as suas mortes precocemente.

Sobrevivência dos organismos marinhos

No embarque da Escola do Mar participaram cerca de 90 pessoas, que colocaram a "mão na água" para conhecer melhor a Baía Norte. Os resultados desta saída indicaram que a concentração de oxigênio na água estava boa para a sobrevivência dos organismos marinhos e o pH foi de 7,95, o que já seria ácido para organismos que vivem em águas mais salgadas.

Este pH é esperado para áreas costeiras, onde a influência da água doce vinda do continente e rica em matéria orgânica (como a trazida pelos esgotos sem tratamento) contribuem com a diminuição do pH.

De acordo com a professora Alessandra Larissa Fonseca, do Departamento de Geociências da UFSC, é fundamental conhecer a qualidade das águas da Baía Norte e Sul da Ilha de Santa Catarina. “Este é um importante sistema da nossa região. Além das belas paisagens fornece águas calmas e ricas em nutrientes para a maricultura e a pesca”.

Não há ainda os resultados das amostras para análise dos contaminantes.  “Quando o tivermos, iremos divulgá-los”, observa a professora Alessandra Larissa. Para Joaquim Antônio Gonçalves Neto, coordenador da Escola do Mar, um dos propósitos do projeto é criar vivências, estabelecer relações e preservar o meio ambiente. “Por isso, o projeto procura realizar ações que contribuam para a sustentabilidade na Ilha de Santa Catarina, através da sensibilização dos cidadãos aos problemas ambientais do município e região”.

Cada um fazendo a sua parte

Segundo o secretário de Educação de Florianópolis, Maurício Fernandes Pereira, todos podem contribuir para a boa saúde de mares e oceanos. Ele lembra que reciclar e diminuir o uso de produtos plásticos ajuda. Muitas peças flutuam no oceano, matando inúmeros animais marinhos. Outra dica do secretário é que a população deve cuidar bem das praias. “É bom aproveitar um dia de sol ao mar. No entanto, é educativo , quando voltar para casa, levar todo o lixo produzido embora”. E finaliza: “Só protegemos o que amamos, só amamos o que conhecemos”.

 

 

Da Redação